DE CHAPA

Ricardo Setyon

A história que chegou ontem aos corredores do futebol mundial, virou manchete.

Afinal…quem não quer saber se o Irã vai ou não vai jogar a Copa do Mundo ?
Então, atenção total na mídia mundial.

Assim soubemos ontem que Irã quer jogar a Copa do Mundo no México ao invés de entrar em campo nos estádios dos EUA.

Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, foi direto. Disse que quando Trump afirmou publicamente que não pode garantir a segurança da seleção iraniana em solo americano, a decisão ficou simples.
O mesmo cidadão que a menos de uma semana disse que o Irã não tem “condição alguma de considerar jogar a Copa do Mundo neste momento “.
“Ora bolas !” como diria o meu mestre Milton Neves.
Se o Irã não tem condições de pensar na Copa do Mundo, por que de repente, caso for jogar no México, o Irã tem condições de jogar…?
Já que o Irã não consegue focar na Copa do Mundo por causa da guerra, ir ao México não significa que a guerra terminou.
Alguma coisa estava errada nessa história. E fomos atrás para descobrir.

“O Irã não vai aos Estados Unidos”.

A declaração do presidente Taj foi, por pura “coincidência” publicada na conta oficial da embaixada iraniana de onde? 
No México! 

Não foi um comunicado qualquer. Foi um recado ao mundo.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo e tem três jogos marcados em solo americano. 

O primeiro é no dia 16 de junho, em Inglewood, na Califórnia, contra a Nova Zelândia. 

O segundo é no dia 21 de junho, também em Inglewood, contra a Bélgica. 

O terceiro e último jogo da fase de grupos é no dia 26 de junho, em Seattle, contra o Egito.

Três jogos nos EUA.
E agora, de repente, um pedido formal para transferir tudo ao México.

Esclarecemos.

O México não esperou a FIFA decidir para se posicionar.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum disse publicamente que seria uma honra receber a seleção iraniana.
Disse que o México daria todas as garantias necessárias para que os jogos acontecessem em segurança.
O governo mexicano foi além e fez contato direto com a embaixada iraniana na Cidade do México para confirmar e se colocar à disposição do país em receber o time.
O México, diga-se de passagem, está fazendo de tudo para ter um pouco mais de Copa do Mundo em seu território. 

Não são poucos aqueles que opinam que caso não se consiga realizar aqueles mais de 70 por cento dos jogos da Copa do Mundo que seriam realizados em território norte-americano… Sejam transferidos para o México.

Foi um gesto político claro, esta oferta ao Irã de jogar suas partidas no México. E também um gesto humano.

Só que a FIFA não quer saber dessa história.

A entidade em Zurique foi categórica: nenhuma cidade sede será alterada. 

Nenhum estádio será mudado. 

Nada do que foi apresentado ao mundo no sorteio de dezembro, em Washington, vai mudar.

A FIFA não considera, não analisa e não negocia transferências de jogos neste momento.

Para a FIFA, o Grupo G, com o Irã dentro dele, começa em Inglewood no dia 16 de junho. E termina em Seattle no dia 26 de junho.

Ou melhor dizendo: com o Irã ou sem ele.

E aqui está o centro de tudo.

O México quer. O Irã pede. A Claudia Sheinbaum garante. A embaixada iraniana na Cidade do México já foi contactada.

Mas a FIFA é quem decide.

E a FIFA já decidiu.

A pergunta que fica no ar é simples e brutal ao mesmo tempo: se o Irã não puder jogar nos Estados Unidos e a FIFA não mover os jogos para o México, o que acontece com os três jogos do Grupo G?

Isso ninguém ainda respondeu.

Nem em Zurique. Nem em Teerã. Nem na Cidade do México.

Enquanto isso, Iraque, Emirados Árabes, Suriname, Bolívia e até o Congo estão mandando seus representantes a FIFA para debater quem ficaria com o lugar do Irã se eles não forem à Copa.

A guerra segue. E as dúvidas sobre o Irã, também.

O AUTOR

Picture of Ricardo Setyon

Ricardo Setyon

Jornalista - FIFA

Credenciado em 10 Copas do Mundo e 7 Olimpíadas, percorreu 114 países e publicou em 7 idiomas.