Enquanto as seleções em todos os continentes afinam seus times para a Copa do Mundo que chega logo logo, tem o Brasil.
É, o Brasil não afina nada.
O Brasil busca, tenta, vê seu técnico “costurar” uma colcha de retalhos, apra que pareça uma seleção.
Mas não é.
E não tem tempo pra isso.
O Brasil ainda tenta descobrir qual é o seu time.
Há dois meses e pouco pra Copa do Mundo: nem ideia de quem irá.
Enfermaria cheia, Rodrygo fora, Rafinha cinco semanas sem jogar, Militão ninguém sabe….e por aí vai. 76 dias para a Copa
Dúvidas no gol. Ederson foi descartado pelo manchester City para agora jogar na Turquia. Alisson, com lesões seguidas, está mais fora do que dentro. Bento, terceiro goleiro, tem sido mais titular que reserva. Hugo Souza tenta, Gabriel Brazão reza pra ter uma chance.
E isso é só para a posição de goleiro. 75 dias para a Copa.
E esta é a diferença fundamental entre o Brasil e todos os outros países classificados para o Mundial de 2026.
As grandes seleções chegam a esta fase da preparação com uma identidade formada, treinadores que trabalham há algum tempo com a equipe, mas acima de tudo, esses times tem todos, sem exceção entre as 12 seleções favoritas, tem uma espinha dorsal definida.
E o Brasil tenta entender o portugues enrolado de Ancellotti, e como ter um pouco de fé de que o futebol brasileiro em campo, mas enrolado que rocambole, pode mudar em 70 dias.
Temos categoria: temos. Mas os franceses tem bastante tambem.
Temos talento, raça e vontade ? Sim….temos em quantidades razoáveis.
Mas os franceses….eles tambem tem!
Sabe o que eles tem ? Um treinador frances, que trabalha desde 2012 na seleção.
Já o Brasil tem um treinador que não completou 9 meses, nunca tinha visto Pedro do Flamengo, ou Gabriel Brazão do Santos jogarem, e sequer entendeu ainda quem é Vitor Roque, artilheiro do Brasil.
Mesmo sendo um multicampeão em campo e como treinador, Ancellotti ainda não consegue fazer milagres.
Os Europeus, americanos, mexicanos, argentinos, japoneses, Senegaleses, Australianos e Panamenhos, usam os jogos teste para resolver detalhes, experimentar uma ou outra variação, acomodar um jogador jovem que ganhou destaque recente.
Ajustes finos.
No Brasil, o ajuste é grosso. Gigante.
Preocupar-se com que, perguntam-se certamente os membros da equipe técnica do Brasil…?
Com os lesionados? Com os que podem ou devem vir em seu lugar ? Com quem ainda não teve espaço ainda na seleção? Com o lado psicológico de entender como tranquilizar os atletas e condicioná-los a nao terem receio de tentar jogadas, sem o medo da opinião publica em caso de erros ?
Menos de 70 dias, e sem brincadeira….o Brasil não tem metade do time titular para a Copa já definido!
E o segundo maior artilheiro da Liga Inglesa, só atrás do gigante noruegues, Halland, o Igor Thiago ? E Endrick? E Vitor Roque ? E Brazão ? E Pedro ? E Estevão ? E Rayan ?
COmo achar espaço para estes atacantes, goleiros, enfim, craques da mais alta qualidade…se não tem time coeso e formatado, para que eles possam mostrar seu melhor
Por isso está todo mundo aplaudindo o Luiz Henrique. Porque entrou como substituto no segundo tempo contra a França e estraçalhou pela direita e pela esquerda do ataque do Brasil.
Sozinho, talento puro, jogadas individuais…
Não houve ali um esquema de equipe, de jogo organizado e com método: era Luiz Henrique driblar, e cruzar para alguém.
Como julgar que tem lugar na equipe, se o unico gol do Brasil de Rafinha, Martinelli, Vini Jr., Luiz Henrique, João Pedro…todos atacantes, veio por parte de um chute desengonçado de um zagueiro.
Que na véspera do jogo nem era cogitado para o time titular: Brener seria o reserva de Ibañez…
Fica difícil mesmo para Ancellotti criar um time que consiga jogar junto.
O Brasil chega com questões abertas em praticamente todos os setores do campo.
Ancellotti chegará à Copa com apenas quinze partidas no comando da Seleção.
Um dos três mais ” novatos ” no cargo de todas as 48 equipes que chegam ao Mundial…
O que levou o Brasil a esta situação, começa em dezembro de 2022, no Qatar, quando Tite se despediu depois de seis anos como treinador nacional e da eliminação dolorosa para a Croácia nas quartas de final.
O que veio depois foi uma sequência de instabilidade que não tem paralelo na história recente do futebol brasileiro.
Ramon Menezes, que treinava o Sub-20 do Brasil, virou técnico-tampão porque não havia ninguém no cargo de Tite, mas havia partidas amistosas marcadas…uma vergonha.
Ramon assumiu de forma interina em junho de 2023 para três amistosos, isso, enquanto a CBF tentava contratar Carlo Ancelotti, que naquele momento havia renovado com o Real Madrid e fechou a porta da seleção.
Com Ancelotti fora do caminho, a CBF, insatisfeita com a derrotas de Ramon na seleção principal, nomeia Fernando Diniz, treinador do Fluminense.
Esse era duas coisas: técnico-tampão( “interino” denominaram na epoca…), a partir de julho 2023.
E era simultaneamente também técnico do Fluminense. nas horas vagas e amistosos, ele comandava a seleção.
Diniz comandou a Seleção em seis jogos, com resultados irregulares, e, claro….enquanto a CBF se esforçava, apesar de tudo, a convencer Ancelloti de vir ao Brasil, ao terminar seu contrato com o Real Madrid. foi demitido em janeiro de 2024.
Em seu lugar chegou Dorival Júnior, anunciado em janeiro de 2024. Deveria ser o técnico para ficar até a Copa.
Mas não foi: a sombra de Ancellotti e os resultados tiraram o treinador.
Dorival ficou até março de 2025, quando foi demitido após a goleada histórica de 4 a 1 para a Argentina no Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
Em 16 partidas, somou sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas, com eliminação precoce na Copa América de 2024 nas quartas de final e o pior desempenho da história da Seleção nas eliminatórias sul-americanas, terminando em quinto lugar com 28 pontos.
No meio de tudo isso, a própria CBF viveu uma turbulência institucional séria. Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade, foi afastado do cargo por decisão judicial em novembro de 2023.
Ele fez de tudo, e, ao fim, voltou ao posto por liminar do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal.
E jurou que iria trazer o técnico italiano.
Ednaldo tentou por mais de dois anos, no total, contratar Ancelotti sem conseguir.
O Brasil ficou mais de dois anos e meio trocando de treinadores, de presidentes e de direção enquanto tentava encontrar um caminho para a Copa.
Carlo Ancelotti foi finalmente anunciado em 12 de maio de 2025. Três anos depois do Qatar, já com um novo presidente da CBF, Samir Xaud, o Brasil conseguiu contratar o treinador que queria.
O problema é que o tempo perdido não volta.
Ancelotti fez sua estreia em 5 de junho de 2025, no empate sem gols com o Equador em Guayaquil, pelas eliminatórias. Classificou o Brasil para a Copa com a vitória sobre o Paraguai. Perdeu para a Bolívia em La Paz por 1 a 0. Depois de garantida a classificação, veio a sequência de amistosos: goleou a Coreia do Sul por 5 a 0, perdeu para o Japão por 3 a 2 de virada, venceu o Senegal por 2 a 0 e empatou com a Tunísia por 1 a 1.
Antes do jogo contra a França, o balanço era de quatro vitórias, dois empates e duas derrotas em oito partidas. Com a derrota para a França por 2 a 1 em Boston, já são três derrotas em nove jogos e aproveitamento de 51%.
“Jogos-teste uma ova !”, diz o seu Manel aqui do barzinho da esquina de casa. ” O Brasil sequer tem um time inteiro! Eles estão é a jogar o jogo da bola por causa dos patrocinadores!”, ele completa revoltado.
O jogo contra a França na última quinta-feira resumiu bem o momento e o pensamento do seu Manel.
Com um jogador a mais desde o início do segundo tempo, depois da expulsão de um francês, o Brasil não conseguiu vencer.
Perdeu por 2 a 1, com um único gol marcado por Bremer.
A França jogou com dez durante quase toda a segunda etapa e foi melhor. Bem melhor.
E o Brasil entrou em campo com nove desfalques confirmados.
E a França saiu sorrindo de campo.
Quem joga? Quem consegue jogar? E como faz com esses jogadores que tem medo de errar e jogam sob pressão até em amistosos? E onde tem tampões de ouvidos pra não ouvir o coro da torcida brasileira no exterior de ” Olê, Olê, Olá, Neymaaaar, Neymaaaar!”?
Neymar não está em nenhuma dessas listas. Não joga pela Seleção desde 17 de outubro de 2023.
Se é Neymar , que hoje se quer joga duas partidas seguidas com o Santos, a salvação desta seleção….melhor nem ir a Copa.
O maior artilheiro da história da Seleção com 79 gols, mais do que Pelé e mais do que Romário, está fora da equipe há mais de dois anos. Ele era a referência, o camisa 10, o jogador em torno do qual tudo se organizava. E sua ausência é mais uma camada da instabilidade que o Brasil carrega.
Os jogos teste deveriam ser o momento em que uma seleção encontra certezas.
Para o Brasil, os jogos-teste, trazem são dúvidas.
Há vagas em aberto. Os jogadores que deveriam ser titulares absolutos não entregam o que se espera. E o time que entra em campo a cada amistoso parece diferente do anterior, sem um fio condutor claro.
Ancelotti ainda tem três jogos antes da Copa. Contra a Croácia no dia 31 de março em Orlando. Contra o Panamá no dia 31 de maio no Maracanã. Contra o Egito no dia 6 de junho. A lista final de 26 jogadores sai no dia 18 de maio.
Três jogos para montar um time. Três jogos para criar uma identidade.
Três jogos para transformar um conjunto de indivíduos de alto nível num time de Copa do Mundo.
Para as outras seleções, os jogos teste são a fase final de um processo que começou há anos.
Para o Brasil, eles são o processo de arrumação geral de um time inteiro.
Bons tempos em que sabíamos quem era titular absoluto na Seleção….



