DE CHAPA

Ricardo Setyon

Brasil 2026: a segunda camisa que era segredo

O Brasil do futebol tem uma novíssima camisa.
E  até bem pouco tempo, muito secreta, segunda camisa para a Copa do Mundo 2026.

E não é uma camisa qualquer.

A segunda camisa, aquela que o Brasil usa quando joga fora de casa, sempre foi azul. 

Tradicional. Sem surpresas.

Até hoje.

Um ano atrás houve uma história de camisas da seleção, que explodiu em discussões fortíssimas Brasil e mídias sociais afora.

Contaram pra gente que a segunda camisa da nossa seleção canarinha, para a Copa do Mundo 2026 seria uma inimaginável camisa vermelha.

Vermelha! 

Coisa nunca vista na história da seleção brasileira, numa cor que nem existe na nossa bandeira.

Então descobrimos que projeto original de algum gênio nos escritórios americanos do patrocinador da CBF, ou algum político intrometido no futebol brasileiro, achou que uma camisa da Seleção em vermelho, seria uma idéia boa.

Não era.
Nem foi.

Quando o caos reinava nas discussões, outros gênios do marketing tentaram convencer a gente de que a camisa número 2 do Brasil, “previa um vermelho inspirado nas brasas ardentes, que deram origem ao nome do nosso país…Brasa…Brasil”.

E olha que a camisa vermelha já tinha entrado em produção!

Mas as reações, obviamente, foram imediatas e duríssimas.

Os torcedores ficaram com raiva, indignados.
Nas redes sociais, revolta total.

Os comentaristas nos quatro cantos do Brasil disseram que a tal camisa vermelha era um insulto à tradição vitoriosa do verde e amarelo.

E no meio de tudo isso, tinha também a questão política: o vermelho é a cor do Partido dos Trabalhadores, o partido de esquerda hoje no governo.
Associar a camisa da seleção a uma cor política não agradou a muita gente. Se teve escola de samba homenageando p Presidente Lula, parecia que havia mais gente tentando levar a camisa vermelha da Seleção, para apoiar o PT…

Mas veio o novo presidente da CBF, Samir Xaud, ouviu o povo e bloqueou tudo. 

O motivo oficial que nos explicaram foi: a camisa vermelha não respeitava o estatuto da confederação, que impõe as cores da bandeira nacional.
Ponto final na polêmica da camisa vermelha.

O vermelho desapareceu. O azul ficou.

Mas o azul que chegou agora não é o mesmo de sempre, tradicional uniforme número dois da Seleção.
É um azul mais escuro. Forte.

No dia 12 de março de 2026, num grande evento em São Paulo, a CBF e a Jordan Brand apresentaram a nova segunda camisa do Brasil para a Copa do Mundo.

E foi aí que chegou a verdadeira surpresa. 

Que está prestes a se tornar uma história de grande popularidade.

A camisa não tem o logo da patrocinadora oficial do Brasil, a Nike.

Tem o Jumpman.
A silhueta de Michael Jordan, o maior atleta da história do basquete, em vôo.
O famoso Air Jordan.

Mas espera um pouco…o que faz o símbolo do basquete numa camisa de futebol?

Pela primeira vez na história do futebol mundial, uma seleção nacional usará a Jordan Brand no seu uniforme oficial!

O Brasil foi escolhido como o primeiro.
Só para o uniforme número dois. 

Antes dessa parceria, o Jumpman tinha aparecido apenas nas camisas do Paris Saint-Germain, em nível de clube.

Numa seleção, nunca.

A camisa é azul royal com elementos pretos. Painéis cor água nos lados. 

Do lado de dentro da gola, a frase “Vai Brasil” em amarelo. 

E em toda a superfície, a famosa “Elephant Print”, a estampa criada em 1988 para o tênis Air Jordan 3.

O conceito que agora apresentam para nossos jogadores, se chama “Joga Sinistro”, uma versão mais agressiva e intimidadora do clássico e mundialmente famoso slogan do futebol brasileiro “Jogo Bonito”.

As cores têm a maior curiosidade: são inspiradas numa belíssima espécie de rã amazônica, mas também venenosa. Um pequeno anfíbio de cores vivas e altamente tóxico.

O tecido é feito 100% de resíduos têxteis reciclados.

A tecnologia se chama Aero-FIT e é 11% mais leve do que as camisas anteriores, com 200% mais ventilação. Será a camisa mais moderna desta Copa do Mundo, entre todas as presentes.

A camisa foi revelada ao público no dia 13 de março de 2026. A estreia oficial em campo foi no dia 26 de março, no amistoso contra a França em Boston. Vinicius Jr. é o rosto principal de toda a campanha.

A coleção completa tem mais de 35 peças: jaquetas, moletons, camisetas “lifestyle”, shorts de basquete com “Brasil” escrito na frente.

Tudo com o Jumpman do Air Jordan.

E surpresa, surpresa: no Brasil e em Nova York, tudo esgotado em poucas horas.

Mas a pergunta que todo mundo faz é sempre a mesma.

Se o Jumpman é tão icônico, tão moderno, tão global…por que não está também na primeira camisa do Brasil, a verde e amarela?

Por que a camisa canarinho, a de verdade, a do Pelé e do Ronaldo e do Garrincha, continua com o logo normal da Nike, sem o Jumpman?

A resposta é simples: são dois contratos diferentes.

Dois mundos diferentes. Que só o Brasil consegue ter.

A primeira camisa continua Nike. A segunda é Jordan Brand. E os jogadores trocam de camisa, e trocam de logo, dependendo da partida.

De qualquer forma, o Brasil colocou o desenho de um campeão do basquete na camisa da sua seleção de futebol. Vai entender…

E o mundo ainda está tentando entender se é uma genialidade ou uma loucura.

Mas resta só um fato: já é uma peça de colecionador.

Todo mundo quer a primeira camisa de futebol de uma seleção nacional com o símbolo do Air Jordan.

Brasil e Jumpman. Pelé e Michael Jordan, agora unidos.

Mas, o”Jogo Sinistro”, da segunda camisa….vai pra onde, quando o Brasil jogar com a tradicional amarelinha?

O AUTOR

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Ricardo Setyon

Jornalista - FIFA

Credenciado em 10 Copas do Mundo e 7 Olimpíadas, percorreu 114 países e publicou em 7 idiomas.