O dia 31 de Março foi uma terça-feira maluca de futebol.
Não só pelo que aconteceu em campo, mas pelo jeito e pelo momento em que aconteceu.
O mundo agora não está nada calmo.
Há uma guerra em andamento na Ucrânia que dura anos, e ao mesmo tempo um novo e perigoso conflito envolvendo o Irã está escalando e afetando a estabilidade global, os mercados de energia e o equilíbrio político.
No meio de tudo isso, olha o futebol aí….ainda encontrando espaço.
E não como algo superficial, mas como algo central.
Um momento, um “algo” a que as pessoas se agarram.
E é aqui que começa a terça-feira maluca.
Na Bombonera, em Buenos Aires, Lionel Messi jogou o que pode ter sido sua última partida na Argentina antes de uma Copa do Mundo que ele ainda não confirmou que vai disputar.
Já pensou se essa foi sua última partida pela Seleção deles ? Acho que ele já decidiu, e só está fazendo mistério.
Ele não é doido de estar jogando nos EUA, e decidir não jogar a Copa do Mundo….nos EUA!
Ainda mais depois do encontro que ele teve semana passada com o Trump na Casa Branca. Aposto meus botões e minhas fichas, e minha grana inteira, de que ele joga a Copa!
O cenário foi histórico. Mas os dois últimos amistosos da Argentina não foram.
A Argentina enfrentou adversários fracos como a Mauritânia. E depois a Zâmbia, dentro de um dos estádios mais icônicos do futebol mundial em Buenos Aires.
Messi marcou, a torcida celebrou, mas o futebol em campo em si não estava à altura da magnitude do momento.
O que importava era a dúvida.
Aquilo podia ter sido uma despedida, mesmo que ninguém dissesse claramente.
Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, a seleção italiana caminhou em direção a um colapso ainda bem difícil de explicar.
Prefiro deixar isso para especialistas melhores do que eu.
Trabalhei, vivi e achei que entendia o futebol italiano por dez anos…mas isso?
Os ragazzi italiani ganharam a bendita Copa de 2006,pra depois, por 12 anos seguidos…..não participar mais da brincadeira?
Ninguém esperava.
E significa muito: primeiro a Liga italiana perde seu status mundial como a melhor. Agora a seleção atinge seu nível mais baixo de sempre.
Um tetracampeão mundial fora de uma terceira Copa seguida. Não é um ciclo ruim. Não é uma geração ruim. É algo mais profundo. Algo estrutural.
Tem até uma brincadeira agora rolando lá na Itália, dizendo que a seleção azul no fundo merece aplausos: eles não curtem ir a copas do mundo onde os direitos humanos não são respeitados…2018, na Rússia, 2022 no Qatar e agora 2026, nos EUA…Só rindo mesmo. Mas para os italianos doidos por futebol, uma tragédia das grandes.
Em paralelo, a estrela do Barcelona, Robert Lewandowski também se aproxima do fim de sua história na seleção polonesa com a certeza de que pra ele, não haverá mais Copa do Mundo.
Derrotada para a Suécia, a Polônia fica em casa neste Mundial.
E quando você olha para os nomes que definiram essa era, o quadro muda rapidamente.
Cristiano Ronaldo e Sadio Mané estarão presentes na Copa. Messi está indeciso. Lewandowski está fora. Neymar está cada vez mais distante.
O que parecia ser o capítulo final de cinco grandes jogadores agora parece incerto e incompleto.
O Brasil adicionou mais uma camada a essa terça-feira maluca.
Contra a Croácia, a seleção que eliminou o Brasil no Qatar, a vitória não veio das estrelas esperadas, mas de jogadores como Endrick, Gabriel Martinelli e Danilo.
Foi uma resposta, mas também um sinal de que o equilíbrio interno da equipe está mudando.
Portugal fez seu trabalho com controle mesmo sem CR7 em campo, liderado por um Bruno Fernandes cada vez mais brilhante, e a atenção global ficou onde costuma ficar.
Então…Messi. Itália. Brasil. Os grandes nomes. As histórias óbvias.
E é exatamente esse o ponto.
Na minha opinião, enquanto tudo isso acontecia, quase ninguém prestou atenção de verdade no que o Japão mostrou em campo.
Não foi só uma boa atuação.
Foi uma ideia clara de futebol. Organizado, disciplinado, mas também com iniciativa e personalidade: foi assim que o Japão venceu a Inglaterra em casa, no seu território, no Estádio de Wembley, em plena Londres, na casa dos ingleses!
Jogadores como Daichi Kamada, Ritsu Doan, Ayase Ueda e Kaoru Mitoma não apenas seguiram um sistema a ferro e fogo e com brilhantismo.
Jogaram com confiança, com clareza, com coragem de assumir responsabilidade nos momentos decisivos. Mais um espetáculo da orquestra regida por seu treinador, Hajime Moriasu.
É aqui que o futebol se conecta com tudo o mais que está acontecendo no mundo.
Porque enquanto os conflitos crescem, enquanto a incerteza se espalha, o barril de petróleo fica mais caro, o futebol se torna ainda mais central. Mais importante e necessário.
Não como fuga, mas como linguagem comum: a bola.
Um lugar onde as pessoas ainda se reúnem, ainda acreditam, ainda sentem algo juntas que não é definido pelo medo ou pela tensão.
E é por isso que foi uma terça-feira maluca.
Tantas histórias ao mesmo tempo.
Tanto barulho em torno dos mesmos nomes. Tanta atenção na mesma direção.
E ao mesmo tempo, uma história diferente crescendo quietinha paralelamente.
Uma seleção como o Japão mostrando que está pronta para ir mais longe do que antes, talvez mais longe do que as pessoas esperam.
E eu espero muito do Japão desta vez.
Com esse futebol, coloco o Japão lado a lado com a Noruega como os dois melhores azarões para surpreender positivamente nesta próxima Copa do Mundo.
Uma terça-feira maluca, não só pelo que aconteceu, mas pelo que quase ninguém parou para ver de verdade: além de Messi, do Brasil e das lágrimas da Itália, o Japão entrou em campo forte, fluido e com um jogo inteligente de verdade.
Mundo maluco com guerras a dois meses da Copa do Mundo.
Futebol maluco que se prepara para nos dar uma Copa do Mundo fantástica.



